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Como a alimentação influencia a inflamação no organismo

Ao tentar explicar qual a influência dos alimentos nos quadros inflamatórios dentro do organismo, primeiro gostaria que o leitor entendesse o que é uma inflamação. Toda vez que nosso corpo sofre algum tipo de injúria (lesão) seja por exemplo por um corte na pele ou uma “invasão” por patógenos como bactérias, vírus, protozoários ou fungos, algo deve ocorrer dentro do nosso organismo para que a lesão seja reparada (cicatrizada) ou os “invasores” sejam detidos e eliminados. Estamos então aí diante de um quadro chamado de reação inflamatória, que mobiliza um exército de substâncias específicas chamadas de citocinas pró-inflamatórias com nomes bem exóticos como interleucinas, leucotrienos, interferons, prostaglandinas, TNF-alfa entre outros. O objetivo destas substâncias é iniciar um processo de reconhecimento dos invasores e avaliar o tamanho do estrago na região afetada e, a partir de então, começar um processo de eliminação dos invasores e de reparação (cicatrização) dos tecidos lesionados.

Porém, os soldados que participam desta missão (citocinas pró-inflamatórias) que vão combater os invasores (bactérias, fungos, vírus) são tão violentos e fortes que podem, além de combater os inimigos, também atacarem as nossas próprias células saudáveis da região que está sendo afetada, como se fossem verdadeiros Kamikazes. Exatamente por este risco desnecessário é que nosso organismo também precisa produzir substâncias chamadas de citocinas anti-inflamatórias, que têm a missão de migrarem até a região do corpo onde a batalha está ocorrendo para controlar a potência da reação inflamatória e não permitirem uma autoagressão das citocinas pró-inflamatórias contra o nosso próprio organismo. Fica claro então que o início da ação das citocinas pró-inflamatórias é fundamental para nos defender de invasores e reparar os tecidos lesionados pelo trauma local, mas jamais devem persistir por muito tempo, pois se não o próprio organismo sofre as consequências deste persistente arsenal de armas com auto poder de destruição. Graças às citocinas anti-inflamatòrias temos um auto controle deste processo. Esta gangorra citocinas pró-inflamatórias versus anti-inflamatórias precisam atuar em perfeito equilíbrio para que tudo corra bem.

Explicado então este raciocínio, onde entram os alimentos nesta história toda? Bem, vamos lá: para que as citocinas pró-inflamatórias e anti-inflamatórias sejam produzidas são necessários alguns nutrientes fundamentais que são encontrados em alimentos específicos. Para a produção das citocinas pró-inflamatórias são importantes: Ácido linoléico (fontes: óleos de girassol, açafrão, gergelim, milho); Ácido Gama Linoléico ( fontes: óleos de prímula e borragem ) e Ácido aracdônico ( fontes: carne vermelha, aves, peixes de água quente, leite, ovos, lula ). Todos estes nutrientes citados fazem parte de uma família de gorduras chamadas de Ômega 6. Já para a produção das citocinas anti-inflamatórias são outros os nutrientes mais importantes: Ácido alfa-linolênico ( fontes: óleos de linhaça, canola, chia e noz ); Ácido Eicosapentaenóico (AEP) e Ácido Docosa-hexaenóico (DHA) ( fontes: peixes de água fria como salmão, atum, sardinha, arenque, cavala e algumas algas). Estes nutrientes citados fazem parte da família de gorduras chamadas de Ômega 3.

O mais importante então é que deveríamos ingerir todos estes nutrientes para que nosso organismo tenha a capacidade de reparar lesões teciduais e também “combater” invasores. O ideal seria que para cada 1 grama de gordura da família ômega 6 que ingerimos deveríamos ingerir 1 grama de gordura da família ômega 3, justamente para haver um equilíbrio na produção das citocinas. Sabe qual a realidade da alimentação “ocidental”, segundo observações de estudos? Estamos ingerindo no nosso dia a dia uma proporção de 16 gramas de ômega 6 para cada 1 grama de ômega 3 . Estamos todos “inflamando” nosso organismo. Quando há um estímulo exagerado na produção das citocinas pró-inflamatórias em relação às anti-inflamatórias a gangorra penderá para reações inflamatórias mais intensas e persistentes gerando risco no desenvolvimento de doenças específicas ou “piorar” doenças inflamatórias já existentes. Quer exemplos de doenças inflamatórias persistentes? Veja a lista: Artrites ( inflamações das articulações), Colites ( inflamações intestinais ), Psoríases, entre outras. Até mesmo o diabético não controlado, o obeso e quem está na Síndrome Metabólica de certa forma também está inflamado pelo aumento das citocinas pró-inflamatórias desencadeado por estas condições clínicas. Os carboidratos com alto índice e carga glicêmica como os açucares e doces, farinha branca (refinados), arroz branco e outros levam ao aumento dos níveis de insulina que é um fator que contribui ainda mais para o aumento da produção das citocinas pró-inflamatórias.

Outro estrago causado pelas inflamações dentro do organismo é uma oxidação excessiva das células inflamadas, causado pelo excesso de radicais livres produzidos na região afetada, levando à uma degeneração ainda mais rápida do tecido que está persistentemente inflamado. Os nutrientes antioxidantes que podemos usar para nos ajudar a diminuir este impacto são: vitamina C, vitamina E, selênio, carotenóides, vitamina A e flavonoides. Onde encontrá-los: frutas cítricas, castanhas, amêndoas, avelãs, abacate, azeite extra virgem, legumes e verduras (com bastante variedade de cores), cereais integrais.

Veja o vídeo da Dr. Priscila sobre inflamação.

Texto: Minha Vida

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