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De acordo com a OMS, metade dos cânceres podem ser prevenidos evitando fatores de risco, como uma alimentação ruim

De acordo com a OMS, Organização Mundial da Saúde, em 2030 devem surgir cerca de 22 milhões de novos casos de câncer no mundo, com 13 milhões de mortes. Diferentemente do que se pensa, o fator genético representa apenas uma pequena parcela das causas das doenças, a maior parte da responsabilidade fica com os hábitos de alimentação, atividade física e consumo de drogas lícitas como o cigarro e o álcool. Para entender melhor de que forma o nosso hábito alimentar pode ajudar na prevenção e no tratamento de um câncer ou até ser mais um fator causador ou agravador da doença, conversei com a nutricionista clínica funcional, Juliana Geraix, que é especialista neste tema.

– De que forma a nossa rotina alimentar pode ajudar na prevenção de alguns tipos de câncer?

J.G
-Mudanças no estilo de vida, e isso inclui uma alimentação saudável, têm sim, um impacto significativo nos indivíduos com e sem câncer. Uma das preocupações mais importantes, é sempre evitar que um indivíduo que está com câncer, tenha metástase, bem como evitar recidivas naqueles que tiveram câncer e foram tratados. De acordo com a OMS, entre 30 e 50% dos cânceres podem ser prevenidos evitando fatores de risco, dentre eles, evitando dieta não saudável com baixa ingestão de frutas e vegetais, ou seja, dieta saudável poderia ajudar a prevenir um câncer em cada 10. Estudos científicos demonstram que o consumo de cerca de 400g de frutas e vegetais por dia, previnem o câncer em geral, significativamente.

-A alimentação também pode ser usada para auxiliar no tratamento de algum tipo de câncer? De que forma isso acontece?

J.G
-A alimentação pode e deve ser usada para auxiliar no tratamento de todos os indivíduos com câncer. No entanto, a dieta deve ser adequada para cada momento da doença e do tratamento, ou seja, deve ser individualizada, mas com o foco em uma dieta equilibrada em macro e micronutrientes, estimulando o consumo de alimentos e não de produtos alimentícios, uma vez que já é conhecido que aditivos químicos, gordura trans, alguns tipos de gorduras saturadas, como ácido palmítico, bem como alimentos processados, têm maior potencial carcinogênico. Além disso, deve-se reforçar a defesa imunológica do próprio indivíduo, ressaltando que a maior parte das células imunológicas está presente no trato gastrointestinal. Nesse sentido, devemos cuidar com muita atenção da microbiota de cada indivíduo por meio de uma alimentação rica em fibras, em alimentos fermentados e naturais e com baixas quantidades de gorduras trans e alimentos processados.

-Se os alimentos que escolhemos podem ajudar na prevenção, eles também podem fazer parte das causas da doença? Ou até agravá-la?

J.G
-Sim. Conforme os estudos, a genética corresponde entre 5 a 10% das causas da doença oncológica, sendo 90 a 95% representadas por causas ambientais, e destas, cerca de 30 a 35% tem a dieta como sendo um gatilho. Portanto, os alimentos que escolhemos podem definir como os nossos genes vão atuar.

-É verdade que o açúcar pode alimentar as células cancerígenas?

J.G
-Sim, é verdade. Mas, vale ressaltar que as células cancerígenas utilizam os mesmos nutrientes que uma célula normal usa para o seu crescimento, ou seja, não apenas glicose. Têm estudos que apontam que as células tumorais também usam aminoácidos para o seu crescimento, como, por exemplo, a glutamina. Estudos em animais também já demonstraram que essas células utilizam ácidos graxos para se proliferarem, dentre eles, o ácido graxo saturado palmítico, muito encontrado em vários produtos alimentícios industrializados (chamados de ultraprocessados). Vale lembrar que células do sistema imunológico, como os leucócitos, necessitam de nutrientes para se proliferarem, sendo que cerca de 47% da energia necessária vem de glicose. Ou seja, é importante lembrar, que ao se fazer restrição nutricional nos pacientes oncológicos, ao mesmo tempo, está restringindo os nutrientes necessários para uma resposta imunológica adequada. Isso não significa que devemos estimular o consumo de açúcar, mas sim, estimular uma alimentação equilibrada, tanto em macronutrientes (carboidratos, proteínas e gordura) quanto em micronutrientes, (vitaminas e minerais) bem como o incentivo ao alimento natural, que traz a vitalidade e a energia da Natureza.

– As pessoas são muito resistentes quando se associa a comida a uma doença tão grave? Elas demoram a se convencer do poder dos alimentos?

J.G

-Do meu ponto de vista, existe mais falta de informação do que resistência, pois na minha prática profissional, observo que uma vez que o paciente recebe todos os esclarecimentos sobre a alimentação, com base na ciência, ele se conscientiza do poder dos alimentos. O convencimento está relacionado ao conhecimento, e daí a importância dos profissionais e dos meios de comunicação atuarem nesses esclarecimentos para a população em geral. Esse conhecimento tem que chegar a todos, para que as pessoas possam buscar auxílio nas diversas áreas. O indivíduo não pode mais ser vistos como segmentos ou órgãos, nem como uma doença, mas sim como um ser físico, mental, emocional, espiritual e energético. E a nutrição, consegue atuar em vários desses níveis, nutrindo não só o físico das pessoas, mas a alma também.

Texto: Juliana Carrero, Blog Comida de Verdade, Estadão

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