logo

Bem Vindos ao Nutrição e Desenvolvimento

Horário de Atendimento
Segunda - Sexta 09:00AM - 17:00PM
Sábado - Domingo FECHADO
NOSSA GALERIA

Seg - Sex 9.00 - 17.00 Sab - Dom FECHADO

55-11-3845-7267

R. Guarará, 529 - Cj. 58 - Jardim Paulista, São Paulo

Top

Capriche na lancheira e melhore a qualidade de vida do seu filho

Por JULIANA CARREIRO

Nas últimas semanas tenho visto muitas mães com dúvidas sobre o que mandar na lancheira dos pequenos. Com o fim do carnaval e o real início do ano, a tv, a internet e as publicações impressas estão cheias de dicas sobre este tema. Porém, tenho encontrado em todas os lugares, os mesmos conceitos e as mesmas sugestões. “Tenha sempre uma fonte de carboidrato, uma fonte de proteína, uma fruta ou um suco”. No post de hoje pretendo falar sobre alguns conceitos ou erros comuns, que podem estar afetando a qualidade de vida das crianças e oferecer alternativas pouco utilizadas, mas que fazem bastante sucesso lá em casa.

Pra começar, é um erro dizer que “é preciso ter sempre uma fonte de proteína de origem animal na lancheira”. A nossa necessidade diária de proteína é individualizada, mas normalmente já é suprida com uma alimentação equilibrada ao longo do dia, lembrando que as proteínas podem vir das fontes animais e também vegetais, como a combinação do arroz com o feijão. Portanto, não precisamos de uma fonte de proteína animal em todas as refeições. Este conceito errado faz com os lanches tenham sempre um ítem relacionado ao leite de vaca, como: iogurte, queijo, requeijão, leite fermentado, petit suisse (danoninho e afins), pão de queijo. Como eu já expliquei de forma mais detalhada em posts anteriores, o nosso organismo tem dificuldade de quebrar e utilizar as principais proteínas do leite de vaca. O seu consumo frequente e excessivo nos provoca diversos processos inflamatórios, cujos sintomas irão variar de acordo com a nossa predisposição genética, e podem ir desde rinites, sinusites, amigdalites, bronquites, até obesidade, ansiedade, hiperatividade, distúrbios de concentração e aprendizagem, problemas de pele e enxaqueca, entre tantos outros.

Além dos derivados de leite, os sucos também costumam reinar nas merendas infantis. O ideal é que a criança se hidrate ao longo de todo o dia e, de preferência com água, os sucos são desnecessários na hora do lanche. Mas se a criança tiver vontade de tomar para acompanhar os amigos há algumas opções. A água de coco pode ser uma boa, mas é importante olhar o rótulo e escolher a marca que tiver menos aditivos químicos, se for possível mandar a natural, é muito melhor. Entre os sucos industrializados há algumas marcas e sabores sem açúcar e sem adoçantes, prefira sempre estes, são poucas, mas é possível encontrá-las. A quantidade também deve ser observada, já vi fotos de lancheiras com garrafas enormes de suco ou com potinhos industrializados de até 300ml, com certeza essa é uma quantidade muito grande para uma criança tomar em um intervalo, dessa forma ela não vai conseguir comer o lanche. Não deixe que ultrapasse 200ml de suco. E sempre coloque uma fruta junto, o suco não a substitui e precisa ser ingerido junto com uma fruta in natura para que as fibras do alimento ajudem na absorção da glicose que surgirá com o consumo do suco.

Mais uma vez, cuidado com o açúcar. Além de fazer parte da rotina das crianças em casa, ele também tem o seu lugar na lancheira, normalmente dentro de um produto ultraprocessado, bolinho, biscoito, cookie, pão de mel, geleias, e em algumas escolas, até em forma de guloseimas, balas, chocolates, pirulitos. Como eu já detalhei em posts anteriores, o consumo frequente e excessivo do açúcar pode trazer diversos efeitos nocivos para a qualidade de vida dos pequenos, que vão desde uma agitação, uma irritação ou uma agressividade momentâneas, notadas logo após o contato com a substância, até efeitos mais duradouros e sistemáticos como, alterações da microbiota intestinal, queda do sistema imunológico, distúrbios de aprendizagem e de concentração, ansiedade, obesidade e dores de cabeça, entre tantos outros. Os ultraprocessados doces ou salgados devem ser banidos da vida deles, dentro e fora da escola. Além do excesso de açúcar, sódio e gordura, eles possuem centenas de substâncias artificiais como corantes, saborizantes, conservantes, realçadores de sabor, que contribuem com o excesso de peso, destroem as barreiras de proteção do intestino, atuam diretamente e de forma negativa no nosso sistema nervoso central e ainda tiram a sensibilidade das papilas gustativas, que passam a rejeitar os alimentos naturais, que têm sabores mais suaves.

Agora você pode estar se perguntando: Então não posso mandar mais nada na lancheira? Pode sim, a resposta está novamente na Comida de Verdade. A ideia é ampliar o leque de opções e não restringí-lo. Vamos começar pelas frutas, se o seu filho não gosta muito delas, a escola é um ótimo lugar para que ele entre em contato com variedades diferentes e fique mais aberto à experimentação por conta do contato positivo com os colegas e professores. Pergunte para ele ou para o professor se ele conheceu alguma fruta nova ou se quer que você compre para que ele experimente. Siga oferecendo diferentes tipos até que ele goste de algum, aos poucos ele pode ir se abrindo para outros. Os tubérculos também podem aparecer, cozidos ou em forma de chips feitos em casa, a batata doce e a mandioquinha são os mais saborosos e funcionam como carboidratos de absorção lenta, ou seja, fazem com que a criança fique satisfeita por mais tempo. Outro carboidrato não convencional é o milho cozido, mas o ideal é optar pelo orgânico. Assim como os ovos cozidos ou o tomate cereja, que costumam agradar ao pequenos paladares. Por aqui a tapioca também é bem aceita, você pode temperar com orégano e até colocar um pouquinho de chia para que fiquem mais nutritivos, ou mesmo passar manteiga e mel.

Panquecas, pãezinhos, bolos, tortas e biscoitos caseiros são sempre bem vindos, se forem adoçados com frutas secas, mel ou açúcar de coco, melhor ainda. A internet está cheia de receitas com estes ingredientes, elas podem ser feitas em grande quantidade e congeladas em pequenas porções, para facilitar a rotina corrida. Se quiser mandar sanduíche, as pastas feitas com a base de tofu, grão de bico, abacate ou banana verde podem surpreender. Basta temperá-las e batê-las com manjericão, orégano, alho, azeitona… de acordo com o paladar do seu filho, elas terão apenas o gosto dos temperos e  vão agregar muitos nutrientes à refeição. Até o famoso petit suisse de morango, pode ser feito com inhame cozido, batido com as frutas. O inhame é um alimento super nutritivo com poderes anti-inflamatório, depurativo e cicatrizante, entre muitos outros. Se você não tem tempo de cozinhar nada em casa, também há algumas opções prontas no mercado, como biscoitinhos de arroz, que podem ser mandados com manteiga ou mel, bananada sem açúcar, que vale como um docinho, não como uma fruta, marcas de chips de tubérculos assados, sem aditivos químicos, chips de coco em lascas e oleaginosas, como castanhas, nozes, amêndoas e avelãs, que devem ser consumidas com uma frequência baixa, porque têm um alto potencial alergênico.

Eu entendo que não é nada fácil mudar um hábito e nem ter que encaixar mais algumas tarefas na nossa rotina tão atribulada, mas o tempo que você investe na saúde dos seus filhos hoje, irá se transformar em prevenção de doenças e em qualidade de vida para eles a curto, médio e longo prazos.

Fonte: Estadão

Share

No Comments

Post a Comment