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Carnitina e oxidação de gordura

Fonte: Jornal I
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Tem sido proposto que a quantidade de carnitina livre é um dos principais factores limitantes para a oxidação da gordura

A gordura e os hidratos de carbono são os principais substratos para a produção de energia no músculo-esquelético durante exercícios de endurance. À medida que a intensidade do exercício aumenta, aumenta também a dependência em hidratos de carbono para a produção de energia. É bem conhecido que a depleção das reservas de hidratos de carbono a nível muscular (glicogénio muscular) coincide com a instalação de fadiga em exercícios de endurance de alta intensidade. Assim sendo, se se conseguir poupar as reservas de hidratos de carbono através da maximização do seu metabolismo e/ou através do aumento da taxa de utilização de gordura, teoricamente poderá haver uma melhoria a nível do rendimento.

A carnitina existe em 2 isoformas: D-carnitina, que se pensa que seja biologicamente inativa, e a L-carnitina, a forma tipicamente usada em suplementação. A L-carnitina permite a passagem dos ácidos gordos de cadeia longa através da membrana interna da mitocôndria para serem posteriormente convertidos em energia. A mitocôndria é local dentro da célula onde é gerada a grande parte da energia utilizada durante exercícios de endurance. Este organelo é constituído por uma membrana externa e outra interna; a conversão da gordura em energia dá-se no espaço dentro da membrana interna, chamado de matriz mitocondrial. Adicionalmente, a carnitina no seu estado livre liga-se a um dos produtos do metabolismo dos hidratos de carbono, a acetilcoenzima A, que se acumula durante exercícios de endurance de alta intensidade.

Tem sido proposto que a quantidade de carnitina livre é um dos principais fatores limitantes para a oxidação da gordura (não entrarei em muitos pormenores acerca das vias metabólicas), uma vez que é esta que permite a passagem dos ácidos gordos para a matriz mitocondrial. Inicialmente, esta era a razão apontada para os possíveis efeitos da carnitina. Mais recentemente tem também sido sugerido que a carnitina poderá melhorar a disponibilidade de glicose por se ligar à acetilcoenzima A. Desta forma, esta substância parece ter também um papel importante na otimização do metabolismo dos hidratos de carbono.

Uma particularidade desta molécula é que ela já existe naturalmente em maior concentração no sangue comparativamente ao interior do músculo. Por isso, nos estudos iniciais, a suplementação em carnitina apenas resultava num aumento da sua concentração sanguínea, não havendo o concomitante amento a nível muscular. Recentemente descobriu-se que se houver um aumento sanguíneo de insulina, conjuntamente com um aumento em carnitina, conseguia-se aumentar o seu conteúdo muscular. Para tal, são necessárias doses de, pelo menos, 80g de hidratos de carbono em conjugação com cerca de 1,5g de carnitina, 2 vezes por dia (80g hidratos + 1,5g carnitina, 2x por dia). Esta conjugação mostrou ser capaz de aumentar o conteúdo muscular de carnitina em 20% após 6 meses de suplementação.

Apesar dos estudos que investigaram o efeito da suplementação em carnitina + hidratos de carbono no rendimento de exercícios de endurance serem ainda escassos, os efeitos parecem ser positivos. Tendo em conta que as recomendações em hidratos de carbono para estes atletas são compatíveis com as quantidades necessárias para aumentar as reservas intramusculares de carnitina, esta poderá ser uma estratégia viável nestes casos. De qualquer modo, ainda não se pode tirar conclusões definitivas. Para além disso, ainda falta descobrir se estes possíveis efeitos positivos se devem a uma otimização do metabolismo dos hidratos de carbono, a um aumento na oxidação de gorduras, ou uma combinação de ambas as situações.

Resumidamente, a carnitina parece ter um papel importante como regulador da seleção do tipo de substrato utilizado pelo músculo-esquelético para produzir energia. Porém, é necessária mais investigação por forma a se saber se a carnitina leva, de facto, a uma melhoria do rendimento desportivo. E não se esqueça: se está a pensar iniciar a toma de alguma substância ergogénica, não o faça sem antes consultar um médico ou nutricionista especialista nesta área.

Bibliografia

·         Stephens FB, Constantin-Teodosiu D, Greenhaff PL. New insights concerning the role of carnitine in the regulation of fuel metabolism in skeletal muscle. J Physiol. 2007;581(Pt 2):431-44.

·         Stephens FB, Galloway SD. Carnitine and fat oxidation. Nestle Nutr Inst Workshop Ser. 2013;76:13-23.

 

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